Usuários de Drogas no SUAS: como funciona a Abordagem Socioassistencial

Em um mundo onde o interesse pelo consumo vale mais que o interesse social, a solidariedade com os problemas humanos parecem ser algo distante. Quando as dificuldades nos rodeiam, geralmente procuramos evita-los e resolver os problemas de forma que ninguém precise ficar sabendo.

Porém quando esses problemas superam os nossos limites, precisamos de apoio e ajuda. Nessa hora, muitas vezes o apoio do ambiente familiar não basta e precisamos de mais.

As políticas de repressão às drogas acabam, muitas vezes, por marginalizar os usuários e instituem uma condição de repressão policial, ao invés de uma abordagem humanitária ofertando condições de tratamento ou redução de danos.

Lidando com a drogadição

Em políticas públicas, redução de danos é um “conjunto de políticas e práticas cujo objetivo é reduzir os danos associados ao uso de drogas psicoativas em pessoas que não podem ou não querem parar de usar drogas práticas” e já obteve sucesso em diversas partes do mundo, como uma forma de controle e redução do uso de drogas pela população.

Gráfico com estimativa de danos causados por drogas. Ilustração do texto "Abordagem Socioassistencial com Usuários de Drogas"
Fonte: Senado Federal https://www.senado.gov.br/noticias/Jornal/emdiscussao/dependencia-quimica/mundo-e-as-drogas/holanda-adota-classificacao-das-drogas.aspx

Na tabela acima podemos constatar que em escala internacional o uso do álcool lidera nas consequências e danos à saúde humana. Este estudo também mostra a influência e os danos que também atingem a sociedade.

No Brasil atual, existem movimentos contrários e favoráveis a descriminalização das drogas. E é importante um amplo debate sobre o assunto, considerando todos os lados da questão.

A questão do atendimento aos usuários de drogas pelas equipes de referência da Proteção Social do SUAS passa pelo tipo de atendimento. Pode ser um atendimento individual no Centro de Referência da Assistência Social (CRAS) ou Centro de Referência Especializado da Assistência Social (CREAS), ou em visita domiciliar às famílias cadastradas, e este encaminhamento pelo Assistente Social aos serviços específicos de acordo com a demanda do usuário.

Leia também: Qual diferença entre a Proteção Social Básica e na Proteção Social Especial?

Como descrevemos acima, a porta de entrada para o atendimento pode ser o atendimento na Proteção Social Básica (PSB) em um CRAS, por visitas domiciliares em atendimento a alguma família, ou então (e principalmente) pela Proteção Social Especial (PSE), em atendimento no CREAS – Centro de Referência Especializado da Assistência Social. Mas também em visita domiciliar, através de atendimento à criança e ao adolescente em Medidas Socioeducativas em Meio Aberto, no atendimento à população de rua, em repúblicas jovens e adultas, ou ainda em centros de acolhida, sendo todos estes serviços referenciados pelo SUAS.

Se não estiver cadastrado, o técnico fará o encaminhamento para o cadastramento do usuário em CADÚnico e verificará a possibilidade deste de acesso aos seus direitos na Assistência Social.

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Fatores e condições para o atendimento ao usuário

Mas além dos tipos de atendimento, lidar com o tema sugere uma série de fatores e condições para o atendimento ao usuário de drogas, tais como:

  • Valorizar a escuta no atendimento ao usuário e familiares;
  • Procurar entender as suas necessidades e o seu desejo em obter o atendimento, pois muitas vezes o usuário foi encaminhado obrigatoriamente por algum parente para que este fosse atendido;
  • Saber que a família do usuário de drogas é codependente, ou seja, ela acaba passando por processos de sofrimentos parecidos com o usuário e, portanto, também deve ser atendida e encaminhada para outros tipos de atendimento médico e psicológico;
  • Verificar a condição socioeconômica da família do usuário, para proporcionar apoio em caso de necessidade, ou então o cadastramento da família para programas de inclusão social e transferência de renda nas esferas municipal, estadual e federal (Ex: Bolsa Família). É importante verificar também se o usuário possui algum tipo de deficiência, ou algum famíliar em condições de obtenção do Benefício de Prestação continuada;
  • A ação educativa e o trabalho em comunidade sempre são uma importante estratégia na prevenção ao uso de drogas e no apoio aos usuários;
  • É fundamental o trabalho do fortalecimento de vínculos e a ressocialização do dependente químico como estratégia de superação e fortalecimento, assim como a garantia efetiva de sua cidadania e protagonismo.

Modelo de Formulário de Encaminhamento para CRAS, CREAS e SUAS em geral para download

Encaminhamentos

Antes de iniciar este tema, é importante deixar claro que todo tratamento, deve levar em consideração a vontade do usuário em ser atendido, independentemente do tipo de droga que use.

De acordo com a situação do usuário, o encaminhamento para seu tratamento deve ser feito pelo Centro de Apoio Psicossocial (CAPS),  que concomitante com a gravidade de sua dependência oferece condições específicas para o seu atendimento, destacando-se o Centro de Atenção Psicossocial para usuários de Álcool e Drogas (CAPS A/D)como porta de entrada referenciada para o atendimento ao usuário.

No CAPS o tratamento varia de acordo com a gravidade da dependência e as condições de saúde do usuário.

Para casos mais graves e específicos existe o atendimento do usuário pelo CAPS III que pode inclusive abordar o usuário em seu domicílio, com internação de até 15 dias, porém nunca em caráter de obrigá-lo a ser internado compulsoriamente.

Para uma ação efetiva no atendimento ao usuário de drogas, é importante destacar a atuação de uma equipe multiprofissional de Assistentes Sociais, Enfermeiros, Psiquiatras, Terapeutas Ocupacionais, Fisioterapeutas, Psicólogos entre outros profissionais que possibilitem sua ampla recuperação.

A atenção aos usuários de drogas deve contar com uma equipe multiprofissional, quando em atendimento no CAPS, composta por Assistentes Sociais, Psicólogos, Enfermeiros, Psiquiatras, Terapeutas Ocupacionais, Fisioterapeutas, Educadores Físicos, Arte-Educadores, entre outros profissionais que devem trabalhar sempre pela reabilitação e pela ressocialização dos usuários como a meta principal, além da sua conscientização de que a dependência em relação às drogas é uma porta aberta e que é necessária a força de vontade do paciente em não mais utilizar substâncias químicas em sua vida.

As secretarias de Assistência e Desenvolvimento Social nos municípios podem realizar trabalhos preventivos em parceria com a Secretaria de Saúde, em grupos de famílias, e realizando cursos e palestras sobre o tema.

Para tanto, a adesão do usuário ao tratamento é uma questão fundamental em sua reabilitação, bem como a participação dos familiares em todo o processo de tratamento.

Para finalizar, é importante salientar que programas educativos de prevenção ao uso de drogas e principalmente a escuta e o diálogo são estratégias fundamentais ao usuário de drogas, tanto no âmbito familiar, como em seu atendimento social!

Veja mais sobre o processo de Referência e Contrarreferência no SUAS e baixe o Formulário de Encaminhamento.

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Referências


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